Esse história é até engraçada.
Durante anos me fodi com mulheres. Já levei
não de todas as formas, de todos os tipos, de todas as maneiras. Criei um vasto
knowhow de como tomar no cu com sexo feminino. Na real, o fato de ser feio + o fato de ser travado = uma pessoa sozinha. Lógico que essa equação está resumida demais, mas esses compostos são os fatores principais do produto final.
Bom, na base do "uma hora isso tem que mudar", comecei a buscar tratamento para isso. Sim! Tratamento!
(Que foi? Tá achando estranho? Vai a merda! Tinha problema, ué...)
Pesquisei, pesquisei e pesquisei. Achei uma terapia que muitos estavam dizendo que era espetacular: a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC). Resumindo o que seria ela: você pega os pensamentos ruins, muda eles de maneira racional, faz verdadeiros testes para saber se esses novos pensamentos são válidos, e reforça esses pensamentos novos.
Olha... a coisa funciona, e muito! Recomendo demais! Mas também preciso dizer que comigo uma pontinha não foi resolvida. (coro de: ahhhhhh).
Sim, a ponta dos relacionamentos não foi resolvida. É bom explicar aqui: o trabalho é feito em conjunto. O paciente e a terapeuta trocam ideias, formas de pensar e agir, experiências... Enfim, fazem um trabalho de troca. Logo, não estou colocando culpa na minha ex-terapeuta. Longe disso! Ela fez milagres comigo!
Depois de uns quatro meses de tratamento, já tinha mudado minha vida em alguns pontos: relacionamento com a minha família, maneira de tratar meus amigos, jeito de enxergar a minha profissão, como encarar o desemprego, como me ver de maneira menos pior, entre outros pontos. Havia chegado à hora: era preciso falar de amor. Do meu passado amoroso, do meu presente extremamente fechado e do meu futuro desacreditado.
Olha... vocês não têm noção como é difícil pra mim falar sobre o meu íntimo, sobre sentimentos. Na base da marra e de muito trabalho com a minha ex-terapeuta, comecei a empreitada: falei de tudo que já deu errado. Foi uma série de lamentos, de frases travadas no meio, de coceiras no rosto, nas orelhas, de garrafinha d'água pra disfarçar o desconforto...
Passada essa etapa, fomos falar daquilo que é mais difícil para mim: eu mesmo. Sou um lixo (e é legal abrir um parêntesis aqui:
Não falei que
me sinto um lixo, que estou
me achando um lixo, que estou numa fase que estou
me vendo como um lixo. Aqui eu sou pontual: eu
SOU um lixo).
Antes de seguir o texto, uma explicação breve: lixo para mim é aquilo que sobrou, que não tem mais utilidade, que já perdeu o traço de usabilidade e representatividade. Ou seja, em outras palavras: aquilo que não serve nem pra adubo :)
Como todo lixo que se preze, ele deve ficar completamente afastado do que não é lixo. Sabe... evitar contaminação, evitar sujar aquilo que está limpo, não interferir naquilo que está bonito. Bom, um lixo humano segue o mesmo princípio. Aqueles que percebem que o são, não devem tentar ser qualquer outra coisa. É mais sábio sair do caminho das pessoas.
Assim, dois problemas acabam em um único tempo: as pessoas não ficam incomodadas com o lixo, não precisam nem se dar o esforço que ter que limpar aquela cagada; e o lixo não sofre o risco de acreditar que não pode ser lixo e quebrar a cara ao ser lembrado que é uma titica.
Bom, não falei a minha teoria sobre o lixo com a doutora, até porque tenho que torná-la mais bonitinha, mais bem arrumadinha para poder ter o toque de graça que tanto gosto de colocar em tudo de errado que tenho/sou/faço. Apesar de não falar, eu dava sinais que não conseguiria mudar esse pensamento. Esse era o objetivo da terapia. O principal objetivo.
Eis que eu passei dois meses de altos e baixos, principalmente por estar cada vez mais próximo de uma amiga que sempre tive um "interesse especial", mas que nunca acreditei que ia rolar alguma coisa. Por que? Lixo não se mistura com aquilo que tem serventia pro mundo. Simples.
Entramos no mês de maio... e a minha amiga teve um problema. Ela se afastou de mim no início de maio, lá pelo dia 5 ou 6, não me lembro. A partir daí... bom, posso dizer que a minha certeza de que tudo sobre relacionamentos não mudaria se concretizou. Mas nesse momento é que vem a parte engraçada.
Minha ex-terapeuta: "vou ter que te encaminhar para outra psicóloga. Vou tirar férias. Você não pode parar, é muito tempo!". Exatamente quando completamos seis meses de terapia. Exatamente quando nós percebemos que não dava mais.
Amigos, se vocês estão mal por terem tomado um pé do namorado (a), por estarem gostando de quem não gosta de vocês, por estarem num rolo que só machuca e não parece que terá fim, lembrem-se de mim: O ÚNICO BOY NO MUNDO A TOMAR PÉ DE TERAPEUTA QUE TENTOU CONSERTAR O PÉ QUE EU JÁ HAVIA TOMADO.